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Mostrando postagens de outubro, 2022

PRECIOSIDADE

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Conheci uma garota exilada em si mesma, com parentes distantes. pouco dinheiro no bolso. Doce. Perversa. Coleciona histórias para contar no escuro de seu quarto. Ela é um mistério, longe de ser eclipsado.   E enquanto se pergunta “será essa a vida?”, alguém a descobre. Ela encontra sua turma. Eles a encontram. Honey, você precisa é de diversão. Ela lança seus olhos de Vênus de Milo para o mundo. Percorre caminhos tortuosos, se entrega a emoções banais, inspira estranhas criaturas. As luzes da grande cidade turvam sua mente. Mesmo os anjos mergulham no inferno. Ao Sul, porém, o aguarda o seu desterro. Ela era uma garota exilada. Se a conheci, não sei. Garotas legais voltam sozinhas para casa.

TUDO OUTRA VEZ

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Um grande, generoso amigo me deu a honra de acompanhá-lo em uma jornada há tempos, em Curitiba. Era época da resistência contra o golpe que interrompeu um governo democraticamente eleito e colocou na cadeia um homem do povo. O “bom dia presidente” era um gesto de esperança e de solidariedade. Não entendi à época o significado de estar ali, acenando para um presidente encarcerado. Não honrei meu compromisso com o amigo, não o acompanhei até o acampamento. Preferi flanar pela cidade, que conheço razoavelmente, por razões afetivas. Tenho nessa terra gélida um histórico de paixões não-correspondidas. Sei que em algum ponto nesse horizonte nevoento se escondem as marcas de um amor que resiste, que se equilibra entre o desencanto e a ansiedade de um encontro que nunca vem, nunca acontece. Por um momento você duvida do que não pode contestar. Pode um abraço durar dez anos? Pode ainda sentir o corpo desejado junto ao seu peito, depois de tanto tempo? Mas Curitiba é pródiga em mudanças d

UM GÊNIO FORA DO SEU TEMPO

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Entre aqueles que foram cancelados durante a pandemia por recusarem a vacina está um dos expoentes mais talentosos da música contemporânea – e aqui se entenda música de gêneros tão díspares quanto o folk, o blues e o jazz. O nome desse gênio negacionista é sir Van Morrison. A gente pode não concordar com suas posições. Mas não deve deixar de conhecer sua obra. Chamar o quase octagenário Morrison de eclético é chover no molhado. Dizer que ele é estranho também. Ainda que o maior superstar do rock anti isolamento tenha sido Eric Clapton, Morrison não ficou atrás. Seguiu à risca sua fama de deslocado e decidiu não se curvar aos ditames antivírus. “Desconvidado” de premiações, processado por seus discursos na contramão das evidências científicas, o irlandês se tornou um pária do show business. Não deixou, porém, de produzir, num ritmo admirável. Até em parceria com o “rebelde” Clapton ele gravou. O curioso é que Morrison, defensor dos shows ao vivo sem restrição de público na pandemia